domingo, 15 de janeiro de 2017

Tarzan

Tarzan dos Macacos (Tarzan of the Apes, 1912, de Edgar Rice Burroughs)

No youtube:
https://youtu.be/u2S7PQjUKVw

Acabei de ler "Tarzan dos macacos", de Edgar Rice Burroughs, escrito em 1912.
Recomendo.
É uma excelente aventura com doses de fantasia.

Muito melhor do que qualquer das adaptações cinematográficas (cinema ou TV), que já vi, realizadas.
Em geral, livros são melhores que suas adaptações cinematográficas, não porque livros sejam intrinsecamente melhores que filmes, apenas por características inerentes a cada uma. Em livros pode-se aprofundar mais nos conflitos psicológicos internos de cada personagem, em seus "diálogos" internos, em seus questionamentos morais/éticos, filosóficos, etc., e, também, se aprofundar mais no contexto cultural, politico, social... do ambiente em que se passa a trama, enriquecendo-a.
Mas, também, há um outro lado, pode torna-lo enfadonho, verborrágico... Enfim. Livros e filmes possuem suas peculiaridades, positivas e negativas.
Mas voltando a "Tarzan dos macacos", se gosta de uma boa literatura de aventura, que te prende, nunca se tornando enfadonha, leia-o. Não se preocupe de já ter visto todas as adaptações cinematográficas, te garanto que você lerá uma obra inédita :). A trama foi muito adulterada nos filmes. O Tarzan do livro original é muito mais interessante do que o dos filmes.

Claro, o livro original é de 1912, então há um certo anacronismo em sua cosmovisão de mundo. Há um ranço de racismo, imperialismo, machismo, uma certa puerilidade, etc. Mas, sinceramente, não me impediram de gostar da aventura. É uma excelente estoria, não é atoa que é um sucesso estrondoso até hoje, sendo recentemente adaptado, novamente ao cinema. Sua mais recente adaptação aos filmes é de 2016.

Li Tarzan (e vou ter que acabar lendo sua continuação, "A volta de Tarzan", por motivos que quem ler o primeiro livro entenderá :) ), por uma vontade (que pode passar :) ) de ler as obras clássicas originais que acabaram se tornando parte da cultura mundial, ícones culturais, até hoje, como:

- Drácula (que já li, e gostei) ;
- Frankenstein's;
- O Homem Invisível;
- Os três mosqueteiros (que já li na adolescência, e lembro que gostei)
- Moby Dick (também lido na adolescência, e lembro que achei chato, e talvez mereça uma releitura);
- Corcunda de Notre Dame;
- etc.;

Há brasileiros, também, na lista, mas a maioria dos clássicos, que me interessaram, já li, com uma ou outra exceção, como as obras de Guimarães Rosa (autor, entre outras, de "Grande Sertão: Veredas"), de quem nunca li nada, apenas vi as adaptações paras as telas.
A lista é grande :), e com certeza não a finalizarei... :(

Dados da Wikipedia:
Tarzan of the Apes (Tarzan, O Filho das Selvas (título no Brasil) ou Tarzan dos Macacos (título em Portugal)) é um romance escrito por Edgar Rice Burroughs, o primeiro de uma série de livros sobre o personagem-título Tarzan. Ele foi publicado na revista pulp All-Story Magazine em outubro de 1912; a primeira edição em livro saiu em junho de 1914. O personagem tornou-se tão popular que Burroughs continuou a série até a década de 1940. No total, foram lançadas vinte e quatro obras, sendo duas delas póstumas.

----------------------------------------------------------------------
Atores que já interpretaram Tarzan ao longo de um século, de 1918 à 2016
(Fonte: http://www.altoastral.com.br/fama/18-atores-tarzan-cem-anos/ )

A nova adaptação da história clássica de “Tarzan”, criada em 1912, por Edgar Rice Burroughs, chega aos cinemas brasileiros no dia 21 de julho. “A Lenda de Tarzan” tem no elenco Alexander Skarsgård (Tarzan), Margot Robbie (Jane) e Christoph Waltz (Capitão Rom).

1. Elmo Lincoln (1918)
2. Gene Pollar (1920)
3. P. Dempsey Tabler (1920)
4. James Pierce (1927)
5. Frank Merrill (1928)
6. Johnny Weissmuller (1932)
7. Buster Crabbe (1933)
8. Herman Brix (1935)
9. Glenn Morris (1938)
10. Lex Barker (1949)
11. Gordon Scott (1955)
12. Denny Miller (1959)
13. Jock Mahoney (1962)
14. Mike Henry (1966)
15. Ron Ely (1968)
16. Miles O’Keeffe (1981)
17. Christopher Lambert (1984)
18. Casper Van Dien (1998)
19. Alexander Skarsgård (2016)

Fontes:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tarzan_dos_Macacos
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tarzan
http://www.altoastral.com.br/fama/18-atores-tarzan-cem-anos/



quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

VeraCrypt Tutorial

VeraCrypt é um programa de criptografia de arquivos/dados que substitui o descontinuado TrueCrypt.
Criptografar dados é torna-los inelegíveis senão for inserida antes uma senha de acesso.

A versão mais recente do VeraCrypt, na data em que esse tutorial foi escrito é 1.19.
Segue link para baixa-lo:

https://veracrypt.codeplex.com/wikipage?title=Downloads

O VeraCrypt possui versões para Windows, Linux, MacOs, etc.
As partições e containers criptografados pelo VeraCrypt podem ser abertos em qualquer dos sistemas para os quais ele possui versão, basta instalar a versão correspondente e poderá montar/abrir sua partição/contêiner criptografado e ler/escrever os arquivos contidos nela (videos, fotos, textos, docs, etc).

No youtube:
https://youtu.be/tLeCioAthfE



Durante a instalação do VeraCrypt você pode optar por instala-lo no seu sistema ou extrair os arquivos, como mostra a imagem 01:


Imagem 01

A diferença entre ambas é:
Instalar (Install) permitira que você possa criptografar inclusive a partição que contem os arquivos de sistema do sistema operacional do seu computador. O que fará com que antes de carregar o sistema operacional seja exigida a senha de descriptografia.

Já ao extrair os arquivos (para uma pasta em seu computador, ou pendrive, cartão de memoria, etc.) você somente poderá criptografar partições que não contenham o sistema operacional ou criar contêineres criptografados. Mas terá uma versão portátil do VeraCrypt que você pode salvar em um pendrive e montar seus containers, partições, drives criptografados em outros computadores.

Contêiner (ou Container, em inglês) é um arquivo com tamanho especifico que simulará uma partição em que serão armazenados arquivos nela. Ao se montar esse container, ele se comporta como uma partição de seu computador. O container pode inclusive está armazenado em um pendrive, cartão de memoria, HD externo, etc. Pode ser gravado, também em um disco ótico (DVD, CD) mas nesse caso só poderá ser lido e não escrito, ou seja, pode-se ler, reproduzir os arquivos gavados no container gravado nele, mas não se pode escrever, salvar diretamente no container armazenado no disco ótico.

Nesse Tutorial optei por extrair os arquivos e criar um container criptografado, ao invés de criptografar uma partição do HD. Pode-se inclusive criptografar partições de HD externo (ou o HD inteiro, se tiver apenas uma partição), pendrives, cartões de memória, etc.
Cuidado, a criptografia formata a partição, e portanto deleta todos os arquivos contidos nela.

Ao se criptografar uma partição de um HD, pendrive, cartão, etc. há uma opção de antes de criptografar deletar definitivamente os arquivos que já estejam salvos neles, tornando-os irrecuperáveis por softwares de recuperação de arquivos deletados. 

O procedimento de criptografia de partições é bem semelhante ao de criação de containers. A diferença básica é que escolhe-se uma partição do seu HD (ou HD/drive inteiro, ou qualquer outro dispositivo de memoria não volátil) e não a criação de um arquivo-container que será armazenado em um HD (ou qualquer outro dispositivo de memoria não volátil)

Imagem 02Na janela da imagem 02 escolhe se o caminho/pasta onde se deseja extrair os arquivos do VeraCrypt. 



Imagem 03

Na janela da imagem 03 clique em Create Volume para criar um novo container/partição criptografado.



















Imagem 04

Na janela da imagem 04 escolha criar um container criptografado, criptografar uma partição/drive que não contenha o sistema operacional, ou criptografar a partição ou drive com o sistema operacional.









Imagem 05

Na janela da imagem 05 escolha criar um volume (container ou partição ou drive) Padrão ou Escondido.
O volume escondido, fica oculto dentro de volume padrão. Você terá dois volumes criptogafados um padrão que será montado/acessível por uma senha e outro que só será montado/acessível por uma outra senha. O volume escondido não é vísivel dentro do volume padrão quando este é montado. O volume escondido só é montado quando sua respectiva senha é inserida.



















Imagem 06

Na janela da imagem 06 escolha onde e o nome do arquivo contendo o container irá ficar.



















Imagem 07

Na janela da imagem 07 escolha o nome do arquivo/container. Pode-se incluir uma extensão para o arquivo ou não. Para o VeraCrypt não faz diferença. Ele identifica que é um container criptogafado e o monta. A extensão pode ser qualquer uma: .txt, .doc, .pdf, etc.


















Imagem 08

Na janela da imagem 08 escolha o algoritmo de criptografia a ser usado. Podendo inclusive usar vários num mesmo container/partição/drive, tornando assim a criptografia mais forte, mais difícil de ser quebrada por softwares específicos para esse fim.
Em tese, quanto mais forte for a criptografia (e o uso de varias em um mesmo container/dispositivo) de um volume, torna-se mais lento acessa-lo (montar, ler/gravar), mas com as maquinas atuais, você não percebe a diferença. Eu sinceramente, não noto perda de desempenho/velocidade nenhuma nas maquinas que monto/uso meus arquivos/dispositivos criptografados. Embora tornem-se mais lentos, pois uma nova etapa de processamento é exigida: tem-se que descriptografar e criptografar um arquivo antes de abri-lo ou salvá-lo respectivamente. Mas como disse, eu não noto diferença. E já uso o VeraCrypt (antes o TrueCrypt) há quase dez anos, e mesmo naquela época não notava queda de desempenho).


















Imagem 09

Na janela da imagem 09 escolha o tamanho que seu arquivo/container terá (o espaço que será ocupado no seu disco/dispositivo).



















Imagem 10

Na janela da imagem 10 escolha a senha para montar seu container/dispositivo criptografado.
É recomendado uma senha com no mínimo 20 caracteres.
Uma dica: escolha uma senha que não contenha palavras existentes em dicionários de nenhum idioma (português, inglês, alemão, etc.) e nem expressões, frases famosas ("Penso, logo existo"; "Quem tudo quer tudo perde"; etc.).
Pois existem softwares que testam todas as palavras, frases, expressões existentes em dicionários para descobrir a senha. E para os computadores atuais isso é feito em pouquíssimo tempo.
Opte por senha que incluam caracteres especiais que não formem palavras, frases existentes, tipo:
pq@&r46$*

Quanto maior a senha mais forte e segura.
E obviamente não use senhas obvias, como data de nascimento, nome de filhos, time que torce, numero de telefone, etc.





Imagem 11

Na janela da imagem 11 aviso para usar uma senha com no mínimo 20 caracteres .



















Imagem 12

Na janela da imagem 12 opção para armazenar arquivos maiores do que 4 GB.



















Imagem 13

Na janela da imagem 13 opções para o formato de arquivos.
E um item importante:
Antes de clicar em formatar e gerar o arquivo/dispositivo criptografado, você deve mover o mouse/cursor dentro da dessa janela da forma mais aleatoriamente possível e pelo maior tempo, também. Isso tornará a cripitografia muito mais forte e difícil de ser quebrada. Eu costumo movimentar por no mínimo um minuto e faço círculos, triângulos, estrelas, escrevo palavras aleatórias...







Imagem 14

Na janela da imagem 14 opções para o formato/sistema de arquivos.


















Imagem 15

Na janela da imagem 15 informação de que o volume criptografado foi criado.




















Imagem 16

Na janela da imagem 16 clique com o direito em uma letra que será designada como identificadora da partição do seu volume no Windows Explorer (ou gerenciador de arquivos do seu sistema operacional) enquanto o volume criptografado estiver montado. No Linux os volumes são identificados por números (1, 2, 3...)
Selecione:
"Select File and Mount"; caso esteja montando um arquivo/container;

ou

"Select Device and Mount"; caso esteja montando uma partição ou drive inteiro (HD, HD portátil, pendrive, uma partição contida em dispositivos de memória não volátil, etc.)


















Imagem 17

Na janela da imagem 17 navegue até a pasta onde está seu container criptografado e abra-o (duplo click ou Enter).




















Imagem 18

Na janela da imagem 18 insira a senha e clique em OK.





















Imagem 19
A janela da imagem 19 mostra que o volume/partição foi montado.














Imagem 20

A janela da imagem 20 mostra o volume montado com a letra Z no Windows Explorer.















Imagem 21

A janela da imagem 21 mostra arquivos e pastas salva dentro do container/volume.




















Imagem 22
Para desmontar o container/partição/drive clique com o direito na janela do VeraCrypt na letra correspondente ao mesmo e em "Dismount". Apos desmontado os dados/arquivos dos mesmos não poderão mais ser acessados (nem se pode gravar, reproduzir/ler nenhum dado/arquivo em seu interior).





















Imagem 22
A janela da imagem 22  mostra que o volume foi desmontado.















Imagem 23

A janela da imagem 23  mostra que que já não há mais partição Z (ou a letra que você tenha escolhido) no Windows Explorer.

Atenção:

Depois de desmontada os dados/arquivos do container/partição não podem ser acessados. Mas o arquivo contendo o container pode ser deletado e a partição pode ser formatada, perdendo-se assim todos os arquivos/dados contidos nos mesmos. Portanto, cuidado.


terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Rogue One, uma historia Star Wars

Rogue One, Uma História Guerra nas Estrelas (Rogue One, Star Wars Story (2016).

Sem Spoilers (mesmo por que os trailers, hoje em dia costumam entregar os melhores momentos, piadas dos filmes, mesmo :) ).

No youtube:
https://youtu.be/wKxnvtb3rXU

Guerra, nunca o termo Guerra, de Guerra nas Estrelas , foi tão adequado, quanto em Rogue One.
Rogue One consegue se encaixar muito bem não universo iniciado com trilogia clássica, mostrando o ocorrido para se conseguir os planos para destruir a Estrela da Morte. E o custo que isso teve.
Inclusive justificando como algo tão poderoso pode ser destruído tão “facilmente”, tinha um ponto fraco tão frágil.
E o melhor, Rogue One conta uma história nova, dentro do universo star wars, ao invés de simplesmente refilmar, reaproveitar os episódios anteriores, como ocorreu em Episodio 7, o Despertar da Força, que simplesmente requentou "Uma Nova Esperança" com pitadas de "Império contra-ataca".
Uma coisa é você respeitar o universo no qual se está inserido, outra é copiar o que já foi feito e por um verniz técnico atual, com algumas pitadas de novidades.

Rogue One em termos de historia foi tudo que esperávamos de Despertar da Força.
Referenciou, homenageou os episódios anteriores, nos proporcionando um  sorriso nos lábios, mas trouxe uma historia toda sua, não se prestou a simplesmente reaproveitar todas as ideias anteriores.
Até gosto de Despertar da Força, mas ele é um deslavado plágio da obra criada por George Lucas, que por mais que hoje seja execrado, principalmente pelos 3 episódios da prequel, ao menos criou histórias novas pra todos eles.

Algo que, também, chama atenção nesse episodio, é a capacidade técnica atual, pra se criar um universo, uma fantasia, no cinema atual, hollywoodiano principalmente. Qualquer coisa parece tão real, tão factível… Embora a recriação de seres humanos, de atores reais se demonstre não tão convincente, ainda.

Algo que me desagradou, e que também ocorreu em Despertar da Força, é a velocidade com que os eventos ocorrem, e principalmente o apego, confiança dos personagens por outros que eles mal acabaram de conhecer. Confiando neles suas vidas e até se sacrificando pelos mesmos. E passando inclusive a seguir a liderança de alguém do qual não possuem nenhuma referência, não conhecem o passado, não conviveram, não conhecem as competências e falhas…
Enfim, te conheço ontem e hoje já te venero e até morreria por você.

Rogue One traz todas marcas registradas de Star Wars, Robôs como alivio cômico, protagonista relutante a principio de aderir a rebelião, com perdas familiares fortes, muita guerra espacial, e bastante mais em solo, a presença da força mesmo com a ausência de Jedis, e a mais clássica  marca registrada de Star Wars: Sabres de Luz :)

Enfim, como todo Star Wars, inclusive os originais, Rogue One encanta e fascina com seu universo riquíssimo, mas também não está isento de falhas. Por que sejamos realistas, há algumas coisas bem infantis, diria até infantiloides, em todos os episódios, principalmente na trilogia original. Mas são falhas que não comprometem o prazer de mergulhar mais uma vez nessa guerra estelar, e ao que parece tao interminável quanto o próprio universo. Tenho medo que a Disney acabe banalizando a saga, lançando tantos episódios, que a mesma se torne só mais um filminho de navezinhas espaciais e robozinhos engraçadinhos...

Mas Enfim, se você é fã, não perca seu tempo, beba sua caneca de leite azul da tia Beru, evoque a força, e parta pra mais essa guerra.
E que a força esteja com você.

:)

Link pra minha postagem sobre "Episodio 7 - O Despertar da Força":

http://womni.blogspot.com.br/2015/12/star-wars-7-o-despertar-da-forca-analise.html

Fonte:
http://www.imdb.com/title/tt3748528/?ref_=nv_sr_2

Elenco:

Felicity Jones: Jyn Erso
Diego Luna: Cassian Andor
Alan Tudyk: K-2SO
Donnie Yen: Chirrut Îmwe
Wen Jiang: Baze Malbus
Ben Mendelsohn: Orson Krennic
Forest Whitaker: Saw Gerrera
Riz Ahmed: Bodhi Rook
Mads Mikkelsen: Galen Erso
Jimmy Smits: Bail Organa

P.S. Atualização (em 10/01/2017):
No Youtube:

Se, como mostrado em Rogue One, o motivo para Estrela da Morte ter um ponto fraco tão crítico, e acessível, que levaria à sua total destruição, é isso ter sido planejado pelo seu projetista, que secretamente era contra o Império; o que justifica à Starkiller ( de Despertar da força) possuir, "coincidentemente" um ponto fraco tão parecido (o oscilador térmico)??
Visto que foi projetada por outro(s)? Também eram secretamente agentes duplos?

Eu respondo: é que o Despertar da força é apenas uma copia (anabolizada) das ideias originais de George Lucas para os filmes originais. E provavelmente ele irão simplesmente ignorar essa falha patética e prosseguir, ou (o que pode ser até pior) "criar" alguma explicação mais ridícula ainda. Como dizer que ninguém, do lado do mal (Império e Primeira ordem) sabiam dessa falha da original Estrela da Morte e basearam-se nos projetos originais da mesma na StarKiller mantendo, por ignorar, a falha semelhante.
Enfim.

Sem querer ser arrogante, sugeriria um argumento original para Despertar da força, ao invés de plagiar. Que tal se:

Luke Skywalker começasse a pender para o lado negro sem perceber, na sua intenção de tornar a galáxia um lugar seguro??
E sem perceber claramente começasse ele próprio a se tornar um imperador?
E acabaria sendo combatido exatamente por aquilo pelo qual ele mesmo foi contra: a imposição de uma ditadura cruel??
Mas como herói, pessoa do bem, que no seu âmago é, acabaria, com a ajuda dos familiares e amigos, percebendo sua falha e se livrando de influencias do mal que o mal aconselhava.

Modestamente, acho muito melhor do que plagiar os originais (com algumas pitadas de originalidade, até boas, mas que não mudam o plagio que é o plot, o argumento geral de Despertar da força).


domingo, 18 de dezembro de 2016

Lar das crianças peculiares

O lar das crianças peculiares (2016)
(Miss Peregrine's Home for Peculiar Children)
Diretor: Tim Burton

No youtube:
https://youtu.be/2GbQmh0uPC4



 Não sou crítico e nem um grande especialista em cinema. Apenas um cinéfilo que gosta de falar  (besteiras :) ) sobre filmes...

O som ficou sem sincrônia (nos próximos prometo melhorar):

É um bom filme de Tim Burton.
Embora não tenha sido tão bem recebido, eu recomendo/gostei.
É um conto de fadas moderno, baseado no livro de estreia de Ransom Riggs, publicado em 2011. O livro teve duas sequencias:
O segundo, intitulado "Hollow City" (2014), no Brasil "Cidade dos Etéreos".
E o terceiro livro chamado no Brasil de  "Biblioteca das Almas" ("Library of Souls" 2016).

Como todo bom conto de fadas, também é um conto de terror.
Algo que me agradou é que é baseado em uma história nova, e não mais uma adaptação dos clássicos contos.
Nada contra os clássicos, Branca de neve, Chapeuzinho vermelho, João e o pé de feijão, etc.
Mas é bom ver algo inédito, também.

Tem os elementos típico de Tim Burton:
O personagem deslocado em seu meio; personagens bizarros, atmosfera tristonha, melancólica.
Mas não é um filme escuro, com contrastes bem definidos, como alguns outros de Tim Burton. Por ser uma fantasia sobre desajustados, achei que teria uma fotografia bem contrastada, bem escuro/claro, mais pro expressionismo, como em outras obras dele.
É um filme até bem luminoso. Tem suas sequencias mais escuras, mas não é um filme "dark".
Mas não deixa de nos proporcionar belíssimas imagens, verdadeiros papeis de parede, como esses postados ao final do texto.

E também, possui o típico humor bizarro, de Tim Burton, com sequencias feitas pra causar estranheza, espanto, bem ao gosto do "doente" Tim Burton.
Mas Tim Burton está bem comedido nesse filme, em relação às suas bizarrices :).
Além de boas sequencias de ação, beleza e encantamento.

O filme possui suas falhas: maniqueísmos, estereótipos, clichês. Mas contos de fadas são feitos de maniqueísmos, estereótipos, clichês.
Mas é uma obra que merece ser assistida, e não envergonha Tim Burton.
É um bom filme, que se encaixa bem no conjunto da obra de Tim Burton, um cineasta que sempre busca ser diferente, oferecer uma experiencia singular.

Enfim, confiram, vale à pena

Fontes:
http://www.imdb.com/title/tt1935859/?ref_=nm_flmg_dr_2

https://pt.wikipedia.org/wiki/Miss_Peregrine%27s_Home_for_Peculiar_Children

https://en.wikipedia.org/wiki/Miss_Peregrine%27s_Home_for_Peculiar_Children

Imagens:








sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Copiar / Colar

Precisa de fazer 4 anos de faculdade pra (aprender só) copiar/colar, não.

Putz, não é possível, que a gente saia de um curso (de Analise de Sistemas de Informatica) sem saber fazer um único programa...
Só sabe copiar...
Cara, eu colo um pouquinho, não quero dar uma de santo... Mas alguma coisa eu sei, é esforço e mérito meu...
Agora tem gente que cópia 100% em todo trabalho e prova..
Numa prova ou trabalho, no mínimo uns 50% é mérito meu..
Se vc ta num curso que você precisa copiar 100% todas as vezes, tem alguma coisa errada, você tá no curso errado...
Prefiro tirar zero com algo que eu fiz, do que 100 nas costas dos outros, sem ter contribuído pra nada
Precisa de fazer 4 anos de faculdade pra copiar/colar não...
Cara, ninguém é uma ilha, o fodão que resolve tudo sozinho.
Todos precisamos de ajuda, de trocar informações, usar algo criado por outros
Mas o foda é você só viver de copiar/roubar o trabalho alheio

Até entendo colar alguma coisa numa prova, pois numa prova você precisa lembrar de cabeça um amontoado de informação, formulas, conceitos, em um pequeno espaço de tempo, sem uma segunda chance se errar, se esquecer de um sinal negativo (-), onde deveria ser um positivo (+),  não lembrar exatamente qual era exatamente aquela formula, conceito, etc a ser aplicada numa questão...
E isso não implica que você não saiba. Apenas que você, não necessariamente, é um robô que memoriza (decora) formulas, abstrações, conceitos enormes, e que se pudesse consultar exatamente a sintaxe, ordem, exatidão deles, iria resolver a questão.
Não vejo problema em consultar qual é exatamente a formula/equação etc. a se aplicar em problema.
Afinal, na vida, no exercício da profissão é assim que faremos. Ninguém vai ficar tentando deduzir, criar do zero, uma formula, para saber qual vai ser o valor de x e y a se aplicar para construir o arco de uma ponte, onde passarão milhões de veículos/ano. Você consulta suas anotações, seus livros técnicos, manuais, didáticos, etc.
Obvio, que o ideal seria que todos soubessem deduzir, elaborar a formula a ser aplicada à partir do enunciado do problema/questão. Mas há questão do tempo, da tensão de não poder ficar experimentando, tirando prova se realmente deduziu certo, pois o tempo urge; se errar é zero na questão, etc...
Então não acho, tão hediondo assim, colar uma formula, um conceito em uma prova, em que há professores xiitas, que proíbem. Você deve é saber qual formula, equação, conceito, aplicar pra determinado problema.
Mas é obvio, também que o aluno, deve saber um minimo do conteúdo ministrado. Para ao menos saber que formulas, conceitos, raciocínios aplicar.
O problema é você não saber nada, nem por onde começar... E já vi e conheço vários alunos do tipo.

Já num trabalho de escola, com prazo estendido de entrega, você já de cara, procurar saber como copiar, quem pode fazer por você, de quem comprar???!!! E conheço e estudo com gente assim, que inclusive se formou assim (imagino o tipo de profissional que se tornou, e as consequências pro país, pra quem trabalha com ele, contrata seus serviços).
Poxa! Num trabalho, você pode consultar o material didático fornecido pra disciplina, livros, internet, pode ler de novo o material, fazer exercícios, etc...
Ou seja você tem tempo e material pra fazer por seus próprios méritos o trabalho.
Se você não tá sendo capaz de realizar um trabalho por seus próprios méritos, tem algo muito errado com você ou com sua escola/professores ou ambos.

Se você ta num curso que você precisa colar/copiar 100% todas as vezes, em todas as provas, em todos os trabalhos, tem alguma coisa errada, você tá no curso errado...

Acer Notebooks

Não recomendo notebooks Acer.
São muito frágeis, as teclas soltam, quebram em pouco tempo de uso.
Adquiri um notebook Acer, modelo Aspire E 15 e com pouco mais de um mês de uso a tecla Shift esquerda soltou do teclado, uns 4 meses depois o gravador de DVD começou a apresentar falhas: não abre a porta, não reconhece que há disco em seu interior, etc.
Enfim, embora o notebook seja até rápido, com boa performance (um core i5-5200U, 4 GB RAM DDR3 L, HD de 1TB), sua estrutura física é um lixo. Parece que vai quebrar só de manuseá-lo normalmente. Dá medo até de abri-lo e a tela desprender da base.
E não é apenas um caso isolado, um azar meu.
Já vi vários outros notebooks Acer com essa fragilidade de sua estrutura física: Um amigo com um que quebrou as dobradiças que prendem o monitor à base, uma amiga com um com varias teclas soltas/perdidas, etc.
Além da performance, os equipamentos devem, também, poderem ser manuseados sem se desfazerem em suas mãos.
Enfim, pra mim, Acer é uma marca que dificilmente adquirirei de novo (não digo nunca, pois os fabricantes podem melhorar seu equipamento, corrigir seus erros, etc, ou até em uma situação de emergência, por uma questão de preço poder abrir mão de qualidade/resistência)

OBS.: Depois postarei fotos do "PaperBook"

domingo, 31 de julho de 2016

Quem mais matou

Quem mais matou ao longo da história da humanidade? Religiosos ou não religiosos?

Ontem ocorreram quantos assassinatos no Brasil? E na América do sul, e na América latina, e na América toda? E na Europa? E no mundo todo, ontem?
Quantos assassinatos ocorreram? Só ontem?
Quantos desses assassinatos terão sido cometidos por religiosos e quantos terão sidos cometidos por não religiosos?
E no ano passado? E na ultima década? E no ultimo século? E no ultimo milênio...? Quantos desses assassinatos foram cometidos por crentes e quantos por descrentes?
E só estou falando de assassinatos. Estou ignorando os estupros, espancamentos, mutilações, roubos, etc.

Quem será que mais matou ao longo da historia da humanidade? Religiosos (de qualquer religião) crentes/tementes a Deus (qualquer um dos Deuses), ou não religiosos (ateus, agnósticos, céticos)...?!
Ah! Uma dica. A grande maioria da humanidade foi/é religiosa ;).

Não estou afirmando com isso, que não crentes/não religiosos não matem, não façam o mau. Apenas pra mostrar que crer em Deus, ser religioso não é sinônimo de ser do bem, e ser descrente ( ateu, agnóstico, cético) não é sinônimo de ser do mal.

Ser religioso ou ateu não torna ninguém melhor ou pior.
O que te define são seus atos, e não suas crenças ou descrenças.

Em geral, nessa questão de quem matou mais, fez mais mal à humanidade, os religiosos gostam de citar Stalin, Mao Tsé Tung, Pol Pot, etc., e outros lideres ateísta, como grandes genocidas. E sim, eles induziram grande mal, promoveram assassínio em massa. Mas, que eu saiba, não por serem descrentes em Deus, mas por sede de poder, controle...
Ah! Mas se eles cressem em Deus não praticariam tais genocídios! Dirão alguns. Bem, Hitler, Mussolini, Franco, etc., apenas pra citar os mais recentes e famosos, eram religiosos...

Somando todos os assassinatos que ocorreram ao longo da historia, quantos foram promovidos por religiosos, tementes a Deus e quantos foram promovidos por descrentes?
Quantas pessoas foram assassinadas sob o comando da rainha Vitoria da Inglaterra? Quantos foram assassinados sob o comando de George Bush? Quantos foram assassinados sob o comando dos reis, rainhas, czares, imperadores, presidentes, ditadores, da Inglaterra? Da Espanha? De Portugal? Da França? Da Rússia? Da Arábia Saudita? Dos Turcos? Dos USA? Do Brasil (guerra do Paraguai...) etc., etc., etc.
Ah! E índios e negros também são gente, viu?! Também contam. :)
Sem nos esquecermos das religiões não abraâmicas (Judaísmos, Cristianismo, Islamismo ), já extintas ou ainda ativas, que também assassinaram em nome de suas crenças, deuses: Hinduísmo, Sikhismo, as religiões africanas, indígenas, etc.,  com seus sacrifícios humanos, guerras, etc.

Mas o problema, é que se um descrente mata, é por culpa dessa sua descrença, falta de Deus no coração. Porque, então, quando um crente em Deus mata, não é por causa dessa sua crença?! Ou seja, não há associação nenhuma, entre fazer o mal e ser crente em Deus ou não.
Algumas pessoas já associam, de cara, ser ateu/descrente a ser do mal. Ser alguém a já não confiar muito... Hummm! Não crê em Deus, então boa coisa não deve ser. Vamos  tomar cuidado. Vamos isolar. E em casos extremos até: vamos elimina-lo.
As principais religiões do mundo (abraâmicas)  mandam matar, inclusive grávidas e crianças (até de peito: 1 Samuel 15:1-3).
Leia sua biblia, sua Torah, seu Corão, .. :)... Mas sem pular as partes que o pastor/padre mandar, tá ;)

Eu não desconsidero ou considero ninguém por ser crente ou descrente. Pra mim, é neutro. Até que a pessoa demonstre com atos, não a considero nada, nem do bem, nem do mal. E nem espero perfeição de ninguém. Nós somos ambíguos, multifacetados. Podemos fazer coisas boas e más. Acertamos às vezes e erramos outras. Fazemos o bem e fazemos o mal. Tanto conscientemente quanto de forma inconsciente. Não somos Deuses :). E não necessariamente isso é ruim. Somos, infelizmente, imperfeitos.

Religiosos/crentes são capazes de grande bondade, e já fizeram e fazem muito bem à inúmeras pessoas. Há varias casas de caridades, hospitais, escolas de origem religiosas, que fazem, prestam auxilio a inúmeras pessoas.
Mas, também há inúmeros descrentes, não religiosos que já fizeram e fazem muito bem à inúmeras pessoas. Bill Gates o homem mais rico da atualidade, é também o maior filantropo da atualidade, financiando inúmeras atividades que beneficiam inúmeras pessoas, principalmente na África (o mais pobre continente do mundo), e é ateu.
E há vários outros descrentes que fizeram e fazem bem ao próximo.

Ah! Rezar, orar, apenas não faz bem nenhum pra ninguém. Talvez faça pra quem reze, que acha que ajudou muito, mesmo não tendo gerado nada de concreto pra ninguém. Quer orar, ore. Mas não se iluda achando que ajudou a pessoa faminta a saciar sua fome, a curar sua doença, a cobrir seu corpo do frio, a adquirir educação/escolaridade/profissão, a ter um teto, com sua oração, com seu enorme desejo de fazer bem, com sua grande fé em Deus. Ok?! Atos geram resultados, e não orações (ou pensamento positivo).

Sendo um pouco chulo agora:
Rezar é semelhante à masturbação: Você pode até pensar firmemente em alguém enquanto a pratica, mas não tem efeito nenhum sobre ele(a) :)

"Com ou sem religião, pessoas boas farão coisas boas e pessoas más farão coisas más. Porém para pessoas boas fazerem coisas más, é preciso religião."
Steven Weinberg (físico) 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Boas e más razões pra crer

BOAS E MÁS RAZÕES PARA CRER
Richard Dawkins (2003)
(Em português e original em inglês)

 Querida Juliet,

Agora que você fez dez anos, quero lhe escrever sobre algo que é muito importante para mim. Você já se perguntou sobre como sabemos as coisas que sabemos? Como sabemos, por exemplo, que as estrelas, que parecem pequenos pontos no céu, são na verdade grandes bolas de fogo como o Sol e ficam muito longe? E como sabemos que a Terra é uma bola menor, girando ao redor de uma dessas estrelas, o Sol? A resposta para essas perguntas é “provas”.

Às vezes “prova” significa realmente ver (ou ouvir, ou sentir, cheirar...) que algo é verdade. Astronautas viajaram longe o suficiente da Terra para ver com seus próprios olhos que ela é redonda. Às vezes nossos olhos precisam de ajuda. A “estrela-d’alva” parece uma sutil cintilação no céu, mas com um telescópio você pode ver que ela é uma linda bola - o planeta que chamamos de Vênus. Uma coisa que você aprende diretamente vendo (ou ouvindo, ou cheirando...) é chamada de observação.

Freqüentemente, a prova não é só uma observação por si só, mas há sempre observações em sua base. Se aconteceu um assassinato, é comum ninguém (menos o assassino e a pessoa morta!) ter visto o que aconteceu. Mas os detetives juntam diversas observações que podem apontar na direção de um suspeito. Se as impressões digitais de uma pessoa coincidirem com as encontradas num punhal, isso é uma prova de que ela tocou nele. Isso não prova que ela cometeu o assassinato, mas pode ser uma informação útil, junto com outras provas. Às vezes um detetive consegue pensar sobre várias observações e então de repente perceber que todas se encaixam e fazem sentido se fulano de tal cometeu o crime.

Os cientistas - os especialistas em descobrir o que é verdade sobre o mundo e o universo - freqüentemente trabalham como detetives. Eles dão um palpite (chamado de hipótese) sobre o que talvez seja verdade. Depois dizem para si mesmos: “Se isso realmente for verdade, devemos observar tal coisa”. Isso é chamado de previsão. Por exemplo, se o mundo realmente for redondo, podemos prever que um viajante que caminhar continuamente numa mesma direção acabará no ponto de onde partiu.

Quando um médico diz que você está com sarampo, ele não olhou para você e viu sarampo. A sua primeira observação lhe fornece a hipótese de que você talvez tenha sarampo. Então ele diz para si mesmo: se ela realmente está com sarampo, devo encontrar... E ele então consulta sua lista de previsões e testa-as usando seus olhos (você está com pintas?), mãos (sua testa está quente?) e ouvidos (seu peito está com um chiado?). Só então ele toma a decisão e diz: “Meu diagnóstico é que essa criança está com sarampo”. Às vezes, os médicos precisam fazer outros testes, como exames de sangue ou raio X, que ajudam seus olhos, mãos e ouvidos a fazer observações.

O modo como os cientistas usam provas para aprender sobre o mundo é muito mais engenhoso e complicado do que consigo dizer numa breve carta. Mas agora quero deixar de lado as provas, que são uma boa razão para crer em algo, e alerta-la sobre três más razões para acreditar em algo. Elas se chamam “tradição”, “autoridade” e “revelação”.Primeiro, a tradição. Alguns meses atrás, fui à televisão para ter uma conversa com cerca de cinqüenta crianças. Essas crianças foram convidadas por terem sido criadas segundo diferentes religiões: algumas como cristãs, outras judias, muçulmanas, hindus ou sikhs. Um homem com um microfone ia de criança em criança, perguntando no que acreditavam. O que elas responderam mostra exatamente o que quero dizer com “tradição”. Suas crenças não tinham nenhuma relação com provas. Elas simplesmente papagaiavam as crenças de seus pais e avós que, por sua vez, também não eram baseadas em provas. Elas diziam coisas como: “Nós, hindus, acreditamos em tal e tal”; “Nós, muçulmanos, acreditamos nisso e naquilo”; “Nós, cristãos, acreditamos numa outra coisa”.

Como todas acreditavam em coisas diferentes, nem todas poderiam estar certas. O homem com o microfone parecia achar que isso não era um problema, e nem tentou fazê-las discutir suas diferenças entre si. Mas não é isso que quero enfatizar no momento. Eu simplesmente quero analisar de onde vieram as crenças. Vieram da tradição. Tradição significa crenças passadas do avô para o pai, deste para o filho, e assim por diante. Ou por meio de livros passados através das gerações ao longo dos séculos. Crenças populares freqüentemente começam de quase nada; talvez alguém simplesmente as invente, como as histórias sobre Thor e Zeus. Mas depois de terem sido transmitidas por alguns séculos, o simples fato de serem tão antigas as faz parecer especiais. As pessoas acreditam em coisas simplesmente porque outras pessoas acreditaram nessas mesmas coisas ao longo dos séculos. Isso é tradição.

O problema com a tradição é que, independentemente de há quanto tempo a história tenha sido inventada, ela continua exatamente tão verdadeira ou falsa quanto a história original. Se você inventar uma história que não seja verdadeira, transmiti-la através de vários séculos não vai torná-la verdadeira! A maioria das pessoas na Inglaterra foi batizada pela Igreja anglicana, mas esse é apenas um entre muitos ramos da religião cristã. Há outras divisões, como a ortodoxa russa, a católica romana e as metodistas. Todas acreditam em coisas diferentes. A religião judaica e a muçulmana são um pouco diferentes; e há ainda diferentes tipos de judeus e muçulmanos. Pessoas que acreditam em coisas um pouco diferentes umas das outras vão à guerra por causa de suas discordâncias. Então você talvez imagine que eles têm boas razões - provas - para acreditar naquilo que acreditam. Mas, na realidade, suas diferentes crenças são inteiramente decorrentes de tradições.

Vamos falar sobre uma tradição em particular. Católicos romanos acreditam que Maria, a mãe de Jesus, era tão especial que ela não morreu, mas ascendeu ao Céu. Outras tradições cristãs discordam, e dizem que Maria morreu como qualquer pessoa. Outras religiões não falam muito nela e, de modo diferente dos católicos romanos, não a chamam de “Rainha do Céu”. A tradição segundo a qual o corpo de Maria foi levado ao Céu não é muito antiga. A Bíblia não diz nada sobre como ou quando ela morreu; aliás, a pobre mulher mal é mencionada na Bíblia. A crença de que seu corpo foi levado ao Céu não foi inventada até cerca de seis séculos após a época de Jesus. No início, só foi inventada, da mesma forma que qualquer história, como “Branca de Neve”. Mas, no transcorrer dos séculos, ela se tornou uma tradição e as pessoas começaram a levá-la a sério simplesmente porque a história havia sido transmitida ao longo de tantas gerações. Quanto mais velha a tradição se tornava, mais as pessoas a levavam a sério. Ela foi por fim escrita como uma crença católica romana oficial muito recentemente, em 1950, quando eu tinha a idade que você tem hoje. Mas a história não era mais verdadeira em 1950 do que quando foi inventada, seiscentos anos após a morte de Maria.

Vou voltar à tradição no fim de minha carta, e olhá-la de outro modo. Mas antes preciso tratar das outras duas más razões para crer em alguma coisa: autoridade e revelação.

Autoridade enquanto razão para crer em algo significa acreditar pois alguém importante ordenou que você acreditasse. Na Igreja católica romana, o papa é a pessoa mais importante, e as pessoas acreditam que ele deve estar certo só porque ele é o papa. Num dos ramos da religião muçulmana, as pessoas importantes são velhos barbados chamados de aiatolás. Muitos muçulmanos se dispõem a cometer assassinatos simplesmente porque aiatolás de um país distante deram essa ordem.

Quando digo que só em 1950 os católicos romanos foram finalmente informados que tinham que acreditar que o corpo de Maria havia subido para o Céu, quero dizer que em 1950 o papa disse que isso era verdade, e então tinha que ser verdade! É claro que algumas coisas que o papa disse ao longo de sua vida devem ser verdade e outras não. Não há nenhuma boa razão para você acreditar em tudo que ele diz mais do que você haveria de acreditar nas coisas que muitas outras pessoas dizem, só porque ele é o papa. O papa atual ordenou às pessoas que não controlasse o número de filhos que vão ter. se sua autoridade for seguida com a obediência que ele deseja, os resultados poderão ser uma terrível escassez de alimentos, doenças e guerras, causadas por superpopulação.

É claro que, mesmo na ciência, às vezes nós mesmos não vemos as provas e temos de acreditar no que foi dito por outra pessoa. Eu não vi, com os meus próprios olhos, que a luz viaja à velocidade de 300 mil quilômetros por segundo. Mas acredito em livros que me dizem qual a velocidade da luz. Isso parece “autoridade”. Mas na realidade é muito melhor que autoridade, porque as pessoas que escreveram o livro viram as provas, e qualquer um de nós pode examinar as provas com atenção no momento que quiser. Isso é muito confortante. Mas nem mesmo os padres afirmam que há provas para a história de que o corpo de Maria subiu para o Céu.

A terceira má razão para acreditar em algo é “revelação”. Se você tivesse perguntado ao papa, em 1950, como ele sabia que o corpo de Maria tinha subido ao Céu, ele provavelmente teria dito que isso lhe fora revelado. Ele se fechou num quarto e rezou, pedindo orientação. Sozinho, ele pensou e pensou, e na sua intimidade teve mais e mais certeza de suas idéias. Quando pessoas religiosas têm uma simples sensação de que algo deve ser verdade, mesmo que não haja provas de que o seja, eles chamam sua sensação de “revelação”. Não só os papas afirmam ter revelações. Isso também acontece com muitas pessoas religiosas. É uma de suas principais razões para acreditar naquilo que acreditam. Mas isso é uma boa razão?

Suponha que eu lhe dissesse que seu cachorro está morto. Você provavelmente ficaria muito triste, e talvez dissesse: “Você tem certeza? Como você sabe? Como aconteceu?”. Suponha então que eu respondesse: “Na verdade, eu não sei se Pepe está morto. Eu não tenho provas. Só tenho uma sensação esquisita, bem dentro de mim, de que ele está morto”. Você ficaria muito zangada comigo por tê-la assustado, porque você sabe que uma “sensação” por si só não é uma boa razão para acreditar que um cachorro está morto. Você precisa de provas. Todos temos sensações e pressentimentos de tempos em tempos, e descobrimos que às vezes estavam certos, às vezes não. De qualquer forma, pessoas diferentes podem ter sensações opostas, então como decidir quem teve a intuição correta? O único jeito de ter certeza de que um cachorro está morto é vê-lo morto, ou ouvir que seu coração parou de bater, ou obter essa informação de uma pessoa que viu ou ouviu alguma prova de que ele está morto.

As pessoas às vezes dizem que devemos acreditar em sensações íntimas, senão você nunca teria certeza de coisas como “Minha esposa me ama”. Mas esse é um argumento ruim. Pode haver muitas provas de que alguém ama você. Durante todo o dia em que você está com alguém que a ama, você vê e ouve pequenas provas, e elas se somam. Não é somente uma sensação interior, como a sensação que os padres chamam de revelação. Há outras coisas para apoiar a intuição: olhares, um tom carinhoso de voz, pequenos favores e gentilezas; tudo isso serve de prova.

Certas pessoas têm forte sensação de que alguém as ama sem que isso esteja baseado em provas, e então é provável que estejam completamente enganadas. Há pessoas com uma forte intuição de que um astro do cinema está apaixonado por elas, mas na realidade o astro de cinema nem sequer as encontrou. Pessoas assim são doentes da cabeça. Sensações íntimas ou intuições precisam ser apoiadas por provas, senão você simplesmente não pode confiar nelas.

As intuições são valiosas na ciência também, mas só para lhe dar idéias que você então testa, procurando provas. Um cientista pode ter um “pressentimento” sobre uma idéia que ele “sente” estar correta. Por si só, isso não é uma boa razão para acreditar nela. Mas pode ser uma razão para passar algum tempo fazendo experimentos, ou à busca de provas. Cientistas usam a intuição o tempo todo para ter idéias. Mas elas não valem nada até que sejam apoiadas por provas. Eu prometi que voltaria à tradição, para examiná-la de outro modo. Quero explicar porque que a tradição é tão importante para nós. Todos os animais são construídos (pelo processo chamado de evolução) para sobreviver no local em que seus semelhantes vivem. Leões são construídos para sobre sobreviver nas planícies da África. O lagostim é construído para sobreviver na água doce, enquanto as lagosta são adaptadas para a vida na água salgada. As pessoas também são animais, e somos construído para viver bem no mundo cheio de... outras pessoas. A maioria de nós não caça para obter comida, como as lagostas ou os leões; nós a compramos de pessoas que, por sua vez, a compram de outras pessoas. Nós "nadamos" num "mar de pessoas". Assim como um peixe precisa das brânquias para sobreviver na água, as pessoas precisam do cérebro que as torna capazes de se relacionarem umas com as outras. Assim como o mar está cheio de água salgada, o mar de pessoas está cheio de coisas difíceis de aprender. Como a linguagem.

Você fala inglês, mas sua amiga Ann-Kathrin fala alemão. Cada um de vocês falam a língua que lhes permite "nadar" no seu "mar de pessoas". A linguagem é transmitida por tradição. Não há outra alternativa. Na Inglaterra, Pepe é um dog. Na Alemanha, ele é ein Hund. Nenhuma dessas palavras é mais correta ou verdadeira do que a outra. As duas foram transmitidas ao longo do tempo, só isso. Para serem boas em "nadar no seu mar de pessoas", as crianças têm que aprender a língua de seu país, e muitas outras coisas sobre se o seu povo; e só quer dizer que elas precisam absorver, como papel mata-borrão, uma enorme quantidade de informações sobre tradições (lembre que essas informações são aquelas passadas dos avós para pais e deste para filhos). O cérebro da criança tem que absorver informações sobre tradições. Não é de se esperar que a criança consiga separar a informação boa e útil, como as palavras de uma língua, das informações ruins e tolas como acreditar em bruxas, demônios e virgens imortais.

É uma pena - mas não deixa de ser assim - que, por serem sugadoras da informação sobre tradições, as crianças possam acreditar em qualquer coisa que os adultos lhes digam. Não importa se seja falso ou verdadeiro, certo ou errado. Muito do que os adultos dizem é verdadeiro e baseado em provas, ou pelo menos sensato. Mas se parte do que é dito é falso, tolo ou até malvado, não há nada para impedir as crianças de acreditarem naquilo também. E quando as crianças crescerem o que farão? Bom, é claro que contarão as histórias para a próxima geração de crianças. Então, uma vez que uma idéia se torna uma crença arraigada - mesmo que seja completamente falsa e nunca tenha havido uma razão para acreditar nela -, pode durar para sempre.Será isso o que aconteceu com as religiões? A crença de que há um Deus ou deuses, crença no Céu, crença em que Maria nunca morreu, que Jesus nunca possuiu um pai humano, que as rezas são respondidas, que vinho se torna sangue - nenhuma dessas crenças é apoiada por boas provas. E no entanto milhões de pessoas acreditam nelas. Talvez isso ocorra porque elas foram levadas a acreditar nessas coisas quando eram tão jovens que aceitavam qualquer coisa.

Milhões de pessoas acreditam em coisas bem diferentes, porque diferentes coisas lhes foram ensinadas quando eram crianças. Coisas diferentes são ditas para crianças muçulmanas e cristãs, e ambas crescem totalmente convencidas de que estão certas e as outras erradas. Mesmo entre cristãos, católicos romanos acreditam em coisas diferentes dos anglicanos ou de pessoas como os Shakers [adeptos da Igreja milênio] ou Quakers, Mórmons ou Holy Rolers, e todos estão plenamente convencidos de que estão certos e os outros errados. Acreditam em coisas diferentes exatamente pela mesma razão que você fala inglês e Ann-Kathrin fala alemão. Ambas as línguas são, em seu próprio país, a língua certa para se falar. Mas não pode ser verdade que religiões diferentes estão corretas em seus próprios países, pois religiões diferentes afirmam que coisas opostas são verdadeiras. Maria não pode estar viva na Irlanda do Sul (um país católico) e morta na Irlanda do Norte (que é protestante).

O que podemos fazer sobre tudo isso? Não é fácil para você fazer alguma coisa, porque você só tem dez anos. Mas você pode tentar o seguinte. Da próxima vez que alguém lhe disser algo que parecer importante, pense: “Será que isso é o tipo de coisa que as pessoas sabem por causa de provas? Ou será o tipo de coisa em que as pessoas acreditam só por causa de tradição, autoridade ou revelação?”. E, da próxima vez que alguém lhe disser que uma coisa é verdade, por que não perguntar: “Que tipo de prova há para isso?”. E, se ela não puder lhe dar uma boa resposta, eu espero que você pense com muito carinho antes de acreditar em qualquer palavra daquilo que foi dito.

De seu querido papai

*******

Perfeito. Orientação maravilhosa pra se dar a uma criança, à uma mente ainda em formação.
Eu queria ter escrito isso. Mas eu não sou Richard Dawkins, né 😀.

*******

Texto original em inglês:


"Good and Bad Reasons for Believing" — by Richard Dawkins

Dear Juliet,

Now that you are ten, I want to write to you about something that is important to me. Have you ever wondered how we know the things that we know? How do we know, for instance, that the stars, which look like tiny pinpricks in the sky, are really huge balls of fire like the Sun and very far away? And how do we know that the Earth is a smaller ball whirling round one of those stars, the Sun?

The answer to these questions is "evidence." Sometimes evidence means actually seeing (or hearing, feeling, smelling...) that something is true. Astronauts have traveled far enough from the Earth to see with their own eyes that it is round. Sometimes our eyes need help. The "evening star" looks like a bright twinkle in the sky, but with a telescope you can see that it is a beautiful ball -- the planet we call Venus. Something that you learn by direct seeing (or hearing or feeling...) is called an observation.

Often, evidence isn't just an observation on its own, but observation always lies at the back of it. If there's been a murder, often nobody (except the murderer and the victim!) actually observed it. But detectives can gather together lots of other observations which may all point toward a particular suspect. If a person's fingerprints match those found on a dagger, this is evidence that he touched it. It doesn't prove that he did the murder, but it can help when it's joined up with lots of other evidence. Sometimes a detective can think about a whole lot of observations and suddenly realize that they all fall into place and make sense if so-and-so did the murder.

Scientists—the specialists in discovering what is true about the world and the universe—often work like detectives. They make a guess (called a hypothesis) about what might be true. They then say to themselves: If that were really true, we ought to see so-and-so. This is called a prediction. For example, if the world is really round, we can predict that a traveler, going on and on in the same direction, should eventually find himself back where he started. When a doctor says that you have the measles, he doesn't take one look at you and see measles. His first look gives him a hypothesis that you may have measles. Then he says to himself: If she really has measles, I ought to see.... Then he runs through the list of predictions and tests them with his eyes (have you got spots?), hands (is your forehead hot?), and ears (does your chest wheeze in a measly way?). Only then does he make his decision and say, "I diagnose that the child has measles." Sometimes doctors need to do other tests like blood tests or X-rays, which help their eyes, hands, and ears to make observations.

The way scientists use evidence to learn about the world is much cleverer and more complicated than I can say in a short letter. But now I want to move on from evidence, which is a good reason for believing something, and warn you against three bad reasons for believing anything. They are called "tradition," "authority," and "revelation."

First, tradition. A few months ago, I went on television to have a discussion with about fifty children. These children were invited because they'd been brought up in lots of different religions. Some had been brought up as Christians, others as Jews, Muslims, Hindus, or Sikhs. The man with the microphone went from child to child, asking them what they believed. What they said shows up exactly what I mean by "tradition." Their beliefs turned out to have no connection with evidence. They just trotted out the beliefs of their parents and grandparents, which, in turn, were not based upon evidence either. They said things like: "We Hindus believe so and so"; "We Muslims believe such and such"; "We Christians believe something else."

Of course, since they all believed different things, they couldn't all be right. The man with the microphone seemed to think this quite right and proper, and he didn't even try to get them to argue out their differences with each other. But that isn't the point I want to make for the moment. I simply want to ask where their beliefs come from. They came from tradition. Tradition means beliefs handed down from grandparent to parent to child, and so on. Or from books handed down through the centuries. Traditional beliefs often start from almost nothing; perhaps somebody just makes them up originally, like the stories about Thor and Zeus. But after they've been handed down over some centuries, the mere fact that they are so old makes them seem special. People believe things simply because people have believed the same thing over the centuries. That's tradition.

The trouble with tradition is that, no matter how long ago a story was made up, it is still exactly as true or untrue as the original story was. If you make up a story that isn't true, handing it down over a number of centuries doesn't make it any truer!

Most people in England have been baptized into the Church of England, but this is only one of the branches of the Christian religion. There are other branches such as Russian Orthodox, the Roman Catholic, and the Methodist churches. They all believe different things. The Jewish religion and the Muslim religion are a bit more different still; and there are different kinds of Jews and of Muslims. People who believe even slightly different things from each other often go to war over their disagreements. So you might think that they must have some pretty good reasons—evidence—for believing what they believe. But actually, their different beliefs are entirely due to different traditions.

Let's talk about one particular tradition. Roman Catholics believe that Mary, the mother of Jesus, was so special that she didn't die but was lifted bodily into Heaven. Other Christian traditions disagree, saying that Mary did die like anybody else. These other religions don't talk about her much and, unlike Roman Catholics, they don't call her the "Queen of Heaven." The tradition that Mary's body was lifted into Heaven is not a very old one. The Bible says nothing about how or when she died; in fact, the poor woman is scarcely mentioned in the Bible at all. The belief that her body was lifted into Heaven wasn't invented until about six centuries after Jesus' time. At first it was just made up, in the same way as any story like "Snow White" was made up. But, over the centuries, it grew into a tradition and people started to take it seriously simply because the story had been handed down over so many generations. The older the tradition became, the more people took it seriously. It finally was written down as an official Roman Catholic belief only very recently, in 1950, when I was the age you are now. But the story was no more true in 1950 than it was when it was first invented six hundred years after Mary's death.

I'll come back to tradition at the end of my letter, and look at it in another way. But first I must deal with the two other bad reasons for believing in anything: authority and revelation.

Authority, as a reason for believing something, means believing in it because you are told to believe it by somebody important. In the Roman Catholic Church, the pope is the most important person, and people believe he must be right just because he is the pope. In one branch of the Muslim religion, the important people are the old men with beards called ayatollahs. Lots of young Muslims are prepared to commit murder, purely because the ayatollahs in a faraway country tell them to.

When I say that it was only in 1950 that Roman Catholics were finally told that they had to believe that Mary's body shot off to Heaven, what I mean is that in 1950 the pope told people that they had to believe it. That was it. The pope said it was true, so it had to be true! Now, probably some of the things that that pope said in his life were true and some were not true. There is no good reason why, just because he was the pope, you should believe everything he said, any more than you believe everything that other people say. The present pope [1995] has ordered his followers not to limit the number of babies they have. If people follow this authority as slavishly as he would wish, the results could be terrible famines, diseases, and wars, caused by overcrowding.

Of course, even in science, sometimes we haven't seen the evidence ourselves and we have to take somebody else's word for it. I haven't, with my own eyes, seen the evidence that light travels at a speed of 186,000 miles per second. Instead, I believe books that tell me the speed of light. This looks like "authority." But actually, it is much better than authority, because the people who wrote the books have seen the evidence and anyone is free to look carefully at the evidence whenever they want. That is very comforting. But not even the priests claim that there is any evidence for their story about Mary's body zooming off to Heaven.

The third kind of bad reason for believing anything is called "revelation." If you had asked the pope in 1950 how he knew that Mary's body disappeared into Heaven, he would probably have said that it had been "revealed" to him. He shut himself in his room and prayed for guidance. He thought and thought, all by himself, and he became more and more sure inside himself. When religious people just have a feeling inside themselves that something must be true, even though there is no evidence that it is true, they call their feeling "revelation." It isn't only popes who claim to have revelations. Lots of religious people do. It is one of their main reasons for believing the things that they do believe. But is it a good reason?

Suppose I told you that your dog was dead. You'd be very upset, and you'd probably say, "Are you sure? How do you know? How did it happen?" Now suppose I answered: "I don't actually know that Pepe is dead. I have no evidence. I just have this funny feeling deep inside me that he is dead." You'd be pretty cross with me for scaring you, because you'd know that an inside "feeling" on its own is not a good reason for believing that a whippet is dead. You need evidence. We all have inside feelings from time to time, and sometimes they turn out to be right and sometimes they don't. Anyway, different people have opposite feelings, so how are we to decide whose feeling is right? The only way to be sure that a dog is dead is to see him dead, or hear that his heart has stopped, or be told by somebody who has seen or heard some real evidence that he is dead.

People sometimes say that you must believe in feelings deep inside, otherwise, you'd never be confident of things like "My wife loves me." But this is a bad argument. There can be plenty of evidence that somebody loves you. All through the day when you are with somebody who loves you, you see and hear lots of little tidbits of evidence, and they all add up. It isn't a purely inside feeling, like the feeling that priests call revelation. There are outside things to back up the inside feeling: looks in the eye, tender notes in the voice, little favors and kindnesses; this is all real evidence.

Sometimes people have a strong inside feeling that somebody loves them when it is not based on any evidence, and then they are likely to be completely wrong. There are people with a strong inside feeling that a famous film star loves them, when really the film star hasn't even met them. People like that are ill in their minds. Inside feelings must be backed up by evidence, otherwise you just can't trust them.

Inside feelings are valuable in science too, but only for giving you ideas that you later test by looking for evidence. A scientist can have a "hunch" about an idea that just "feels" right. In itself, this is not a good reason for believing something. But it can be a good reason for spending some time doing a particular experiment, or looking in a particular way for evidence. Scientists use inside feelings all the time to get ideas. But they are not worth anything until they are supported by evidence.

I promised that I'd come back to tradition, and look at it in another way. I want to try to explain why tradition is so important to us. All animals are built (by the process called evolution) to survive in the normal place in which their kind live. Lions are built to be good at surviving on the plains of Africa. Crayfish, to be good at surviving in fresh water, while lobsters are built to be good at surviving in the salt sea. People are animals, too, and we are built to be good at surviving in a world full of other people. Most of us don't hunt for our own food like lions or lobsters; we buy it from other people who have bought it from yet other people. We "swim" through a "sea of people." Just as a fish needs gills to survive in water, people need brains that make them able to deal with other people. Just as the sea is full of salt water, the sea of people is full of difficult things to learn. Like language.

You speak English, but your friend Ann-Kathrin speaks German. You each speak the language that fits you to "swim about" in your own separate "people sea." Language is passed down by tradition. There is no other way. In England, Pepe is a dog. In Germany he is ein Hund. Neither of these words is more correct or more true than the other. Both are simply handed down. In order to be good at "swimming about in their people sea," children have to learn the language of their own country, and lots of other things about their own people; and this means that they have to absorb, like blotting paper, an enormous amount of traditional information. (Remember that traditional information just means things that are handed down from grandparents to parents to children.) The child's brain has to be a sucker for traditional information. And the child can't be expected to sort out good and useful traditional information, like the words of a language, from bad or silly traditional information, like believing in witches and devils and ever-living virgins.

It's a pity, but it can't help being the case, that because children have to be suckers for traditional information, they are likely to believe anything the grown-ups tell them, whether true or false, right or wrong. Lots of what the grown-ups tell them is true and based on evidence, or at least sensible. But if some of it is false, silly, or even wicked, there is nothing to stop the children believing that, too. Now, when the children grow up, what do they do? Well, of course, they tell it to the next generation of children. So, once something gets itself strongly believed—even if it is completely untrue and there never was any reason to believe it in the first place—it can go on forever.

Could this be what has happened with religions? Belief that there is a god or gods, belief in Heaven, belief that Mary never died, belief that Jesus never had a human father, belief that prayers are answered, belief that wine turns into blood—not one of these beliefs is backed up by any good evidence. Yet millions of people believe them. Perhaps this is because they were told to believe them when they were young enough to believe anything.

Millions of other people believe quite different things, because they were told different things when they were children. Muslim children are told different things from Christian children, and both grow up utterly convinced that they are right and the others are wrong. Even within Christians, Roman Catholics believe different things from Church of England people or Episcopalians, Shakers or Quakers, Mormons or Holy Rollers, and all are utterly convinced that they are right and the others are wrong. They believe different things for exactly the same kind of reason as you speak English and Ann-Kathrin speaks German. Both languages are, in their own country, the right language to speak. But it can't be true that different religions are right in their own countries, because different religions claim that opposite things are true. Mary can't be alive in Catholic Southern Ireland but dead in Protestant Northern Ireland.

What can we do about all this? It is not easy for you to do anything, because you are only ten. But you could try this. Next time somebody tells you something that sounds important, think to yourself: "Is this the kind of thing that people probably know because of evidence? Or is it the kind of thing that people only believe because of tradition, authority, or revelation?" And, next time somebody tells you that something is true, why not say to them: "What kind of evidence is there for that?" And if they can't give you a good answer, I hope you'll think very carefully before you believe a word they say.

Your loving

Daddy

*******
Richard Dawkins é evolucionista; docente no departamento de zoologia da Oxford University; membro do New College. Começou sua carreira de pesquisador na década de 60, como um aluno do etólogo agraciado com o premio Nobel Nico Tinbergen, e desde então seu trabalho tem focalizado principalmente a evolução do comportamento. Desde 1976, quando seu primeiro livro, O Gene Egoísta (The Selfish Gene - 1976), sintetizou tanto a substância como o espírito daquilo que hoje é chamado de revolução sócio-biológica, ele se tornou muito conhecido, tanto pela originalidade de suas idéias como pela clareza com que as expõe. Num livro posterior, O Fenótipo Estendido (The Extended Phenotype - 1982), e numa série de programas de televisão, expandiu a idéia do gene como unidade de seleção. A idéia foi aplicada a uma série de casos biológicos tão diversos quanto a relação entre hospedeiros e parasitas e a evolução da cooperação. Seu livro seguinte O Relojoeiro Cego (The Blind Watchmaker - 1986), é amplamente lido, citado e um dos trabalhos intelectuais de nossa época realmente influente. Ele é também autor do recém-publicado O Rio Que Saía do Éden (River Out of Eden - 1995).

*******